No sabado(19) o curso de pós-graduação em Cinema e Documentário da Faculdade Pitágoras em Londrina recebeu o cineasta brasileiro Andrea Tonacci (Itália, 1944)
ele que é do Cinema Marginal (movimento ocorrido no Brasil na década de 70) veio nos contar um pouco da sua experiência com o cinema e mais precisamente com seus filmes "Bang Bang" e "Serras da Desordem".
Nascido na Itália ainda moleque aos 9 anos, Andrea e a família se mudaram para São Paulo, local em que vive até hoje. Quando jovem entrou para a faculdade de arquitetura e engenharia, mas abandonou os números depois de se apaixonar pela pintura, gravura e fotografia.
Em 2006, seu filme "Serras da Desordem" lhe valeu o Kikito de melhor diretor no Festival de Gramado, esse filme conta sobre Carapirú, um índio nômade, que escapa de um ataque surpresa de fazendeiros. Durante 10 anos ele perambula sozinho pelas serras do Brasil central, até ser capturado em novembro de 1988, a 2000 km de distância de sua fuga inicial. Levado a Brasília pelo sertanista Sydney Ferreira Possuelo, em uma semana ele se torna manchete por todo país e centro de uma polêmica entre antropólogos e linguistas em relação à sua origem e identidade. Na tentativa de identificar sua origem ele reencontra um filho, com quem retorna ao Maranhão. Porém o que Carapirú encontra ao retornar já não está mais de acordo com sua vida nômade.
Já em "Bang bang", Andrea Tonacci deixa firme a narrativa clássica construindo seu filme através de longos planos-seqüência, que encantam pelo inesperado, pelo humor e pelo rigor da construção. A trama acompanha um homem (Paulo César Pereio) perseguido por três bandidos (um deles travestido) pelas ruas de Belo Horizonte. A influência de Godard manifesta-se de todas as formas em Bang bang, pela citação direta ou pela incorporação de elementos estilísticos caros ao diretor franco-suíço, como a preferência pelos travellings ou o uso da metalinguagem. O filme apresenta uma série de seqüências fechadas em si próprias, sem ligação aparente com o que vem a seguir e freqüentemente repetidas com leves alterações, à maneira de variações musicais. O uso recorrente da canção "Eu sonhei que tu estavas tão linda", cantada pelos personagens em diferentes momentos da narrativa, acentua esse caráter de composição musical identificado na arquitetura de "Bang bang".
Parabenizo a atitude da Faculdade Pitágoras e do Prof. Luciano Pascoal, que essa iniciativa seja mais frequente nas agendas culturais Londrinense.
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